MINISTRO: ‘UM POR TODOS E TODOS POR UM’ CONTRA CRIME
Cardozo dá posse a diretor da PF defendendo integração
JOSÉ EDUARDO Cardozo (à esquerda) cumprimenta
Leandro Coimbra, que tomou posse como diretor da PF
Jailton
de Carvalho
BRASÍLIA.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, empossou ontem o novo diretor
geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra,
defendendo reforço no combate à corrupção, à violência e ao narcotráfico.
Cardozo usou o bordão de “Os Três Mosqueteiros”, romance histórico do escritor
francês Alexandre Dumas, para falar em integração entre seu ministério e a PF.
—
Daqui para a frente, é um por todos e todos por um na
luta contra o crime organizado — disse Cardozo, ao discursar na posse de Coimbra.
O
ministro usou a frase duas vezes num discurso de 11 minutos. Segundo ele, o
combate ao crime organizado é uma das principais prioridades da presidente
Dilma Rousseff, e as estruturas de segurança pública,
principalmente a Polícia Federal, não podem falhar nessa missão.
—
Se a Polícia Federal fracassar nessa tarefa, fracassará
o ministro da Justiça. Se o ministro da Justiça fracassar, fracassa o governo
da presidente Dilma. Se o governo fracassar, fracassamos todos os brasileiros —
disse Cardozo.
Numa
entrevista depois da posse, o novo diretor da PF disse que manterá as grandes
operações na mesma linha de atuação do antecessor Luiz Fernando Corrêa.
Segundo
Coimbra, o enfrentamento da corrupção e do narcotráfico, desafios criados pela
globalização e pelo crescimento da economia brasileira, será incessante. A exemplo de Luiz Fernando Corrêa, Coimbra destacou como
metas a busca de provas fortes nas investigações, a modernização da gestão e a
requalificação permanente de policiais e servidores da instituição.
—
As grandes operações continuam. O foco é na qualidade da prova, no aumento das
(prisões) preventivas e na redução das temporárias. O foco é combate à
corrupção, ao narcotráfico, ao tráfico de armas, ao crime organizado e à
lavagem de dinheiro — afirmou Coimbra.
Novo
diretor da PF era superintendente em SP
Ao
comentar as denúncias que pesam contra um agente acusado de torturar presos no
Núcleo de Custódia da PF, Coimbra disse que desvios não serão tolerados. O
diretor tem 44 anos, é casado e pai de duas filhas. O delegado entrou na PF em
1995 e, desde então, passou por vários cargos de chefia. Antes de ser alçado ao
cargo de diretor, pelas mãos de Cardozo e da presidente Dilma, Coimbra era o
superintendente da PF
—
Ele e o Corrêa têm a mesma linha de atuação, mas personalidades diferentes.
Quando tinha que fazer uma cobrança, o Luiz Fernando era muito incisivo. O
Leandro é mais negociador — conta um delegado da cúpula da PF.
Na
solenidade estavam presentes a ministra da Secretaria
Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário; o ministro da Previdência,
Garibaldi Alves; e o advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, entre
outros representantes do alto escalão do governo. Antes de passar o cargo a
Coimbra, Corrêa pediu um minuto de silêncio em solidariedade aos mortos nas
enchentes no Rio de Janeiro. Também no início da cerimônia, Cardozo disse que
precisará novamente de Corrêa, mas não disse que missão espera do delegado, que
se aposentou um dia antes da escolha de Coimbra para sucedê-lo na direção da
PF.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: O País Tamanho: 580 palavras
Edição: 1 Página: 11
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