COMPRANDO FILTROS

 

Como se sabe, Arianna Huffington vendeu o Huffington Post. Seu grande mérito foi ter congregado, num mesmo espaço virtualmente infinito, blogueiros sérios e comprometidos com o projeto de informar e debater, em alto nível, qualquer assunto. A ideia não era original, mas deu certo. Virou referência em pouco tempo e agora colhe os louros.

 

 

No mundo gigante da internet, uma velha premissa diz que, já que você não pode ler todos os sites, leia apenas aquele site que reúne o conteúdo básico de todos os outros. E bom mesmo é quando o tal site sai do lugar comum e apresenta contribuições diferentes das que se repetem, ad infinitum, pela rede.

 

O Huff Post é um desses sites. Outro é o TechCrunch, especializado em tecnologia e que, no fim do ano passado, foi comprado pela mesma AOL que agora arrebata o Huff. O TechCrunch, para quem cobre tecnologia, é leitura indispensável.

 

Curiosamente, o TechCrunch é bastante crítico em relação à política do Huff de priorizar as técnicas de SEO. SEO é a sigla, em inglês, de otimização para motores de buscas. Mui resumidamente, é um método para melhorar a posição de um site nos resultados apresentados nos googles da vida. Essas técnicas alavancam a audiência do site (ou, vá lá, o page rank), mas não garantem receita para ninguém. O Huff, por exemplo, agora é que começa a pensar em lucro.

 

Mas o problema do SEO, segundo seus críticos, é a mesmice da cobertura on-line sobre determinado assunto — que acaba ficando igual para todo mundo. Segundo Paulo Carr, do TechCrunch, isso desestimula a busca por boas reportagens. Mas Carr ressalta que o Huff é a exceção que confirma a regra.

 

 

 

A propósito, não li em lugar algum se Arianna, depois de vender o site para a AOL, vai remunerar seus blogueiros de alguma forma. Merecem, pois são a razão de seu sucesso.

 

 

 

Esses movimentos de mercado mostram, aliás, que a AOL quer dar trabalho para seus concorrentes de mídia. Depois de um longo inverno, está investindo em conteúdo mesmo — e não somente na perfumaria, como parece ser a ideia da News Corp. quando lança o “Daily” somente para iPad e enche a edição de recursos mirabolantes que, entretanto, apenas enfeitam o quase-nada que apresentaram como conteúdo até agora. Mas, lembremos, a história do “Daily” está apenas no começo.

 

 

 

Não por acaso, semana passada conversei com o Carlos Nepomuceno, afiado analista de mídia, entre outras qualidades (como se vê em http://nepo.com.br). Ele fez alguns comentários que bem se aplicam a Huff Post, TechCrunch, AOL & Cia...

 

Nepomuceno disse, por exemplo, que o problema da indústria de mídia não é mais como a informação chega ao destinatário (porque ela chega de qualquer forma), mas é qual a informação que chega.

 

— No momento que você tem tanto excesso de informações, você inverte a questão e começa a construir significado para ela. Qualquer tentativa que não esteja alinhada à construção de significado sairá perdendo — disse ele.

 

Segundo o Nepomuceno, o desafio da indústria de mídia, hoje, é conseguir falar menos, com menos recursos possível, e agregar maior significado ao que está entregando.

 

Taí: falar menos dizendo muito é sempre uma decisão inteligente. O Twitter tem a ver com isso. O recado tem que ser dado em 170 caracteres. Tem que ser convincente o bastante para fazer você correr atrás do complemento, se estiver a fim da informação completa — seja texto, foto, vídeo...

 

— No Twitter, a gente usa outros contatos para ver o que é relevante. É uma cooperativa — diz Nepomuceno, lembrando que temos cada vez menos tempo (ou seria paciência?) para leituras longas. — Daqui a pouco, um livro de 200 páginas será considerado um tijolo...

 

A solução, diz Nepomuceno, é as empresas de conteúdo aprenderem a filtrar melhor as informações. Justamente para seus leitores/assinantes/usuários/ouvintes/etc captem rapidamente o significado de cada informação que lhes cai no colo.

 

— Está aberta a temporada de caça a uma nova indústria de filtros.

 

Parece que é isso mesmo que a AOL está fazendo.

 

 

 

 

 

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Responsabilidade na rede

 

 

Hoje é o Dia Mundial da Internet Segura. Grandes eventos em 65 países vão marcar a data, que tenta meter na cabeça do povo a importância de usar a rede de maneira responsável.

 

— A internet não é um mundo paralelo, uma terra sem lei. É um espaço real de nossa vida — diz o Rodrigo Nejm, da SaferNet Brasil.

 

Entre outros eventos do dia, sugiro uma espiada no debate “É mais que um jogo, é a sua vida”, com a presença de representantes do CDI LAN, do Instituto Paramitas e da Polícia Federal, além de blogueiros, pais e jovens. A conversa será transmitida ao vivo pela internet, a partir das 14h30min via e .

 

Agenda completa: .

 

Jornal: O GLOBO          Autor: 

Editoria: Economia     Tamanho: 827 palavras

Edição: 1         Página: 22

Coluna: Conexão Global         Seção:

Caderno: Primeiro Caderno  

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