DA LIMPEZA À DIVERSÃO

 

Rotina de operários está cada dia mais organizada

 

SANTIAGO. Um mês após o acidente que deixou 33 mineiros soterrados a mais de 700 metros de profundidade, a rotina dos operários mudou drasticamente desde que foram descobertos vivos pelo governo chileno. Batizados pelo próprio grupo de “Los 33”, os homens estão hoje separados em três grupos de 11 — chamados de Refúgio, Rampa e 105, em referência ao lugar e ao nível em que se encontram atualmente — e têm seus dias programados do início ao fim.

 

As lideranças são claras: Luis Urzúa continua sendo o chefe de turno, Yonny Barrios é o médico oficial, José Ojeda segue como líder espiritual dos colegas. Além disso, há os três chefes dos grupos — Omar Reygadas, Carlos Barrios e Raúl Bustos. O dia dos mineiros começa cedo, pouco antes das 8h, quando eles iniciam imediatamente as suas atividades.

 

— Eles têm muito a fazer: arrumam camas, recebem as 74 cápsulas diárias, tratam a água com cloro, movem maquinaria, limpam, juntam o lixo, entre outras coisas — explicou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

 

A escrita tem sido a válvula de escape para alguns. Víctor Segovia organizou um diários sobre os dias em que estão soterrados, o que já despertou o interesse de várias editoras. Já Víctor Zamora surpreendeu o mundo com um poema de sua autoria, enviado na última sexta-feira.

 

A confecção de mapas também se tornou uma tarefa muito importante, já que os gráficos auxiliam o trabalho de resgate a partir da superfície. José Ojeda tem sido crucial nesta função. Autor do plano que estabeleceu os três grupos — Refúgio, Rampa e 105 —, ele também organizou a mudança, na semana passada para um segundo refúgio mais profundo, porém mais seco.

 

As distrações do casino e do dominó feito de papel foram substituídas agora pelo entretenimento tecnológico. Os mais jovens lutam para superar seus próprios recordes de vídeo game, e os mais velhos não desistem da leitura. A música também tem sido um incentivo: eles escutam reggaetón, Elvis Presley, cúmbia e música chilena.

 

Geralmente, das 15h às 17h30m, os mineiros conversam através de um intercomunicador com uma equipe da Associação Chilena de Segurança, com quem falam sobre seus medos, apreensões e ansiedades. À noite, às 21h, recebem numa cápsula uma mensagem: “boa noite, vão todos dormir”.

 

Jornal: O GLOBO          Autor: 

Editoria: O Mundo       Tamanho: 406 palavras

Edição: 1         Página: 27

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