GOVERNO DA ESPANHA MANTÉM CAÇADA AO ETA
Ministro rejeita possibilidade de diálogo e afirma que anúncio de
trégua é insuficiente
MADRI.
Descartando qualquer possibilidade de negociação com o grupo separatista basco
ETA, o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcada, afirmou ontem
que seu país não pode confiar no anúncio “insuficiente” feito no domingo de que
o ETA vai baixar as armas. O ministro se disse cético quanto ao cessar-fogo,
disse que ele é “reversível” e foi motivado pelo enfraquecimento da estrutura
do grupo. O ministro afirmou ainda que o governo espanhol seguirá
caçando militantes.
—
Pode muito bem ser uma estratégia. O Batasuna tem de entender a mensagem: ou
eles rompem definitivamente com o ETA ou convencem o ETA a parar
definitivamente com a violência — disse Rubalcada.
Enquanto
analistas especulam que o cessar-fogo pode ser uma tentativa do ETA de legitimar
seu braço político, o Batasuna, antes das eleições municipais de 2011, o
anúncio causou uma onda de repulsa no governo do primeiro-ministro José Luis
Rodríguez Zapatero.
O
ministro do Fomento e vice-secretário-geral do Partido Socialista Obreiro
Espanhol (PSOE), José Blanco, advertiu que o comunicado do ETA “não tem nada de
positivo”:
—
É preciso romper definitivamente com o grupo terrorista. O ETA está muito
enfraquecido e busca qualquer espaço de oportunidade. Mas não há oportunidade
sem o abandono definitivo das armas e da violência.
O
ETA já matou mais de 850 pessoas na tentativa de conseguir um Estado
independente no norte da Espanha e sul da França, mas recentemente foi abalado
pela prisão de integrantes e pelo aumento do apoio, entre os bascos, a uma
solução democrática para a questão da independência.
Ontem,
o repórter da BBC Clive Myrie, escolhido para transmitir o vídeo gravado pelo
ETA, contou ter recebido a gravação numa estação de trem em Paris. Em
depoimento ao site da empresa britânica, ele disse que um conhecido que não via
há cerca de um ano entrou em contato por email, propondo-lhe um café em
Londres, próximo ao metrô de Covent Garden. A pessoa, que em nenhum momento é
descrita como integrante do ETA, revelou-lhe que a organização considerava pôr
fim à luta armada e perguntou-lhe se teria interesse em difundir a informação
para o resto do mundo.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: O Mundo Tamanho: 387 palavras
Edição: 1 Página: 27
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