IRÃ: PRODUÇÃO NUCLEAR CRESCE 15% SOB SANÇÕES
Relatório da AIEA expõe temor de que país esteja mesmo de olho na
bomba atômica; para Teerã, documento é parcial
VIENA.
Apesar de uma nova rodada de sanções impostas pelas Nações Unidas — além de
restrições unilaterais aplicadas por outros países — o Irã aumentou sua
produção nuclear em pelo menos 15% desde maio passado. Segundo um relatório
confidencial da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o país
produziu 2,8 toneladas de urânio enriquecido a níveis baixos e pelo menos 22
quilos do material enriquecido em maior concentração. No texto, a agência
demonstra preocupação com as supostas intenções iranianas de fabricar uma bomba
atômica e com o fato de que o país segue violando determinações do Conselho de
Segurança da ONU e da própria AIEA.
“Estima-se
que entre
“A
agência rejeita as bases pelas quais o Irã tentou justificar a objeção e também
está preocupada que as repetidas objeções à indicação de inspetores experientes
impeçam o processo de inspeção e prejudiquem as capacidades da agência de
implantar salvaguardas ao Irã”, diz outro trecho do texto.
Chanceler francês cogita ir a Teerã interceder por
Sakineh
A
divulgação do documento causou sobressalto em Washington. Um porta-voz da Casa Branca,
Tommy Vietor, classificou as informações como preocupantes. Para os Estados
Unidos, o relatório prova que Teerã continua tentando desenvolver armas
nucleares.
—
O último relatório da AIEA sobre o Irã demonstra novamente que o país se nega a
cumprir suas obrigações nucleares internacionais e continua o esforço para
expandir seu programa e se aproximar da capacidade de produzir armas nucleares
— declarou Vietor.
Em
Teerã, no entanto, o presidente da agência nuclear iraniana, Ali Asghar
Soltanieh, acusou o documento de parcialidade e criticou o presidente da AIEA,
Yukia Amano.
—
O relatório de Yukiya Amano prejudicou a reputação técnica da agência e não era
balanceado, comparado aos de seu antecessor, Mohamed ElBaradei — afirmou o
iraniano à agência estatal Mehr, acrescentando: — Todas as atividades nucleares
do Irã estão sob a supervisão da AIEA.
Além
da pressão sobre a questão nuclear, cresce ainda em Teerã, às vésperas do Eid
al-Fitr, festividade que marca o fim do Ramadã, na próxima quinta-feira, a
tensão acerca do destino de Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher condenada ao
apedrejamento por adultério e pelo suposto assassinato do marido. Segundo o
advogado da condenada, Javid Houtan Kian, ela pode ser executada em breve, tão
logo termine o Ramadã.
Além
de países como Brasil, França e Itália, o Vaticano também sugeriu que poderia
interferir para tentar salvar a vida de Sakineh. Ontem, o ministro das Relações
Exteriores da França, Bernard Kouchner, chamou a condenação de “o cúmulo da
barbaridade” e cogitou ir a Teerã tentar resgatar Sakineh.
—
Estou pronto para fazer qualquer coisa para salvá-la. Se tiver de ir a Teerã
para salvá-la, então vou a Teerã — garantiu o francês.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: O Mundo Tamanho: 532 palavras
Edição: 1 Página: 27
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro
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