BRIGA NO CLÃ DO REVERENDO MOON
Disputa familiar ameaça jornal conservador de Washington
REVERENDO MOON: aos 90 anos, ele negocia com filho
mais velho o controle do “Washington Times”
WASHINGTON.
O reverendo Sun Myung Moon, o coreano de 90 anos líder da seita Igreja da
Unificação, já preparou sua sucessão. Seu filho mais novo, Sean, assumiu o
principal posto da igreja. O segundo mais velho, Justin, ficou com um
conglomerado de empresas na Ásia. E o mais velho, Preston, ficou com negócios
na Coreia do Sul e nos EUA, incluindo o jornal “Washington Times”, criado por
Moon em 1982 para combater o comunismo.
Só
que Preston não gostou da partilha antecipada, segundo fontes, o que ameaça a
sobrevivência do jornal. Em julho, surgiram na internet e-mails revelando a
briga entre irmãos. E a equipe do “Times” não considera Preston tão
comprometido com a causa conservadora como seu pai. A circulação do jornal caiu
de 87 mil exemplares diários em 2008 para cerca de 40 mil; acabaram as seções
de esportes e cidade; seus três principais executivos e metade da redação foram
demitidos. O jornal, com prejuízo de US$2 bilhões, vinha sobrevivendo com
subsídios da igreja de Moon, que secaram no ano passado.
Em
2009, o então diretor financeiro, Keith Cooperrider, contactou a igreja e disse
que não tinha como pagar o provedor de internet e o seguro-saúde. Circularam
rumores de que o “Times” só sobreviveria na internet.
Agora,
Moon negocia recomprar o jornal do próprio filho por US$1, segundo memorando
interno obtido pelo “Washington Post”. Com Cooperrider e dois outros
ex-executivos do jornal, Moon criou uma empresa chamada News World Media
Development. Segundo fontes, Moon ameaçou Preston de criar outro jornal. Um
antigo funcionário do “Times” afirmou que “o único que se importa com o jornal
é o pai”. (Do Washington Post)
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: Economia Tamanho: 317 palavras
Edição: 1 Página: 25
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro
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