PESQUISA ON-LINE INFLUENCIA DECISÕES EDITORIAIS DE JORNAIS AMERICANOS

 

Acompanhamento de tráfego na internet supera pesquisa de opinião

 

Do New York Times

 

NOVA YORK. Na maioria dos negócios, não saber como anda o desempenho de um produto é algo quase impensável. Porém, o ramo de jornais sempre foi um negócio peculiar. Trata-se de um setor que se agarra orgulhosa e teimosamente à ideia de que se concentrar demasiadamente no cerne da questão pode levar a lugar nenhum. Mas, agora, por causa da tecnologia que permite apontar o que as pessoas on-line estão vendo e comentando, quanto tempo elas gastam lendo um artigo e até mesmo quanto uma reportagem produz em termos de receita de publicidade, os jornais podem tomar decisões mais “científicas” sobre onde investir seus escassos recursos.

 

Esses dados nunca estiveram disponíveis com a atual precisão. As pesquisas de opinião com leitores, que durante décadas foram as bases de decisões dos jornais tradicionais, levavam meses para ser realizadas, muitas vezes deixando os editores com dados velhos.

 

Olhar o público em busca de um insight sobre como cobrir um tópico nunca é uma tarefa fácil nas redações, onde persiste a crença de que os leitores buscam um veículo não apenas por sua informação, mas também por seu posicionamento editorial. Porém, muitas redações de jornais agora parecem estar reavaliando esse princípio e abraçando, embora cautelosamente, uma abordagem mais democrática para publicar notícias, sobretudo on-line.

 

— Como alguém pode dizer que não se interessa pelo que pensa o seu consumidor? — indaga Alan Murray, analista de notícias on-line do “Wall Street Journal”. — Preocupamo-nos com o que pensam os nossos leitores. Mas eles também se preocupam com nosso julgamento editorial. Estamos tentando equilibrar as duas coisas.

 

Para especialista, tecnologia amplia debate com leitor

 

Editores do “Journal”, como os de outros grandes jornais americanos, acompanham de perto o tráfego da internet. Eles começam suas reuniões matinais de pauta com uma lista de dados tirados da rede, inclusive os itens mais buscados no WSJ.com, os artigos que estão gerando o maior tráfego e quais reportagens estão gerando comentários no Twitter. No “Washington Post”, uma tela, visível em toda a redação, mostra uma série de dados semelhantes.

 

Em vez de corromper o julgamento noticioso, ao levar os editores a basear suas decisões segundo os interesses dos leitores, a disponibilidade dessa tecnologia, até agora, parece estar levando os jornais a tomarem decisões mais cirúrgicas sobre como cobrir certo tópico.

 

O “Post”, que fez uma extensa cobertura on-line das recentes eleições britânicas, descobriu que os leitores on-line não estavam interessados no tema. Em vez disso, os internautas estavam interessados na marca de calçados Crocs. Os editores atribuíram isso ao anúncio que o Yahoo ligou à cobertura. Mas isso não se traduziu em mais cobertura sobre os calçados e as notícias sobre as eleições britânicas continuaram.

 

— Ao tornar esses dados disponíveis, estamos permitindo um diálogo — afirma Tim Ruder, diretor de receita do Perfect Market, empresa que desenvolveu um software de acompanhamento de cliques em anúncios.

 

Jornal: O GLOBO          Autor: 

Editoria: Economia     Tamanho: 513 palavras

Edição: 1         Página: 25

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Caderno: Primeiro Caderno   

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