SINDICATO PEDE À PROCURADORIA INTERDIÇÃO DE MAIS UMA PLATAFORMA DA PETROBRAS

 

Sindipetro diz que houve dois acidentes de trabalho e vazamento na P-35

 

UMA ESCADA enferrujada na P-33, que foi interditada pela ANP

 

Cássia Almeida

 

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro NF) entrou com pedido de interdição da plataforma P-35 da Petrobras, na Bacia de Campos, ao Ministério Público do Trabalho (MPT), na última sexta-feira. A situação de conservação e de segurança da plataforma está sendo investigada pelos procuradores de Cabo Frio, que já instauraram inquérito para apurar as denúncias de falta de segurança feitas pelo sindicato nas plataformas P-35, P-31 — apelidada pelos trabalhadores de sucatão — e na P-33. Esta última está interditada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) desde o dia 12 de agosto.

 

Diante da denúncia de que dois trabalhadores se acidentaram em menos de 15 dias na plataforma e de que ainda houve um vazamento de gás, o MPT pediu que a Petrobras preste esclarecimentos sobre os acidentes aos procuradores até amanhã.

 

Empresa diz que funcionário se desequilibrou

 

Pelo relato do sindicato, um gerente caiu de uma escada e quebrou o braço em dois lugares, justamente quando fazia uma auditoria interna sobre as condições de segurança. Mas a Petrobras afirmou, em nota,“que a escada possui boas condições de conservação, corrimão e bordas antiderrapantes em todos os degraus”. E que o funcionário se desequilibrou no penúltimo degrau e teve que imobilizar o ombro.

 

O sindicato denunciou que outro trabalhador, esse terceirizado, teve fratura exposta na perna, quando uma porta de aproximadamente 250 quilos caiu sobre ele. A Petrobras disse que a porta estava em perfeito estado de conservação e que houve uma “pequena falha de montagem” que provocou o “desprendimento de uma porta corrediça localizada na entrada do almoxarifado”.

 

O sindicato informou ainda que, seis dias depois do primeiro acidente, houve vazamento de gás de grandes proporções, a ponto de paralisar a produção para reparos. A companhia confirmou o vazamento, mas afirmou que ocorreu acima das demais instalações da unidade e que a “Petrobras interrompeu temporariamente, por questão de segurança, a produção da unidade para a realização dos reparos necessários”.

 

Desde o ano passado, os trabalhadores vêm denunciando às autoridades e à própria Petrobras problemas sérios de conservação e segurança nas plataformas da estatal na Bacia de Campos. Em julho último, houve uma explosão sem feridos na P-33, que levou à interdição de alguns equipamentos da plataforma pelos auditores fiscais do Trabalho. Alguns dias depois, a plataforma foi interditada pela ANP.

 

Jornal: O GLOBO          Autor: 

Editoria: Economia     Tamanho: 432 palavras

Edição: 1         Página: 23

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