ESTRADAS CONTRA O DESEMPREGO
Obama anuncia pacote de infraestrutura de US$50 bi a 2 meses das
eleições legislativas
BARACK OBAMA criticou os republicanos: “Preferem
ganhar alguns pontos antes das eleições em vez de resolver os problemas”
FILA EM feira de emprego em Los Angeles, que durou
todo o fim de semana do feriadão: 8 milhões demitidos durante a recessão
Fernando
Eichenberg*
Pressionado
pelas dificuldades encontradas na recuperação da economia e pelo elevado índice
de desemprego (9,6% em agosto) às vésperas das eleições legislativas de
novembro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem um
plano de infraestrutura de seis anos, com investimento inicial previsto de
US$50 bilhões, que serão destinados para estradas, ferrovias e aeroportos.
Apesar de apresentar o programa como de longo prazo, Obama enfatizou que a
iniciativa possibilitará a criação imediata de empregos e o desenvolvimento da
atividade econômica do país.
Analistas,
porém, ressaltam que só haverá criação de vagas ao longo do ano que vem — o que
não traz muito consolo para os 14,8 milhões de desempregados americanos. Também
há outra questão de longo prazo: o orçamento dos estados. Há cerca de um mês, o
economista Paul Krugman afirmou que governos estaduais estavam destruindo
estradas por não ter como mantê-las.
—
Oito milhões de americanos perderam seus empregos durante a recessão. E, apesar
de termos tido oito meses consecutivos de crescimento no número de vagas no
setor privado, os novos empregos não estão sendo criados com rapidez suficiente
— admitiu Obama em um comício do Dia do Trabalho, comemorado ontem nos EUA, em
Milwaukee, no estado de Wisconsin.
Plano prevê banco de infraestrutura
O
novo pacote, que ainda será votado pelo Congresso, prevê a reconstrução de 240
mil quilômetros de estradas; a construção e manutenção de
Com
o fim do recesso político do verão americano, o Dia do Trabalho marca o início
da campanha eleitoral para as eleições de 2 de novembro, nas quais o governo
está ameaçado de perder a maioria no Senado e na Câmara. No comício em
Milwaukee, Obama dispensou a gravata e usou um tom mais enérgico, na tentativa
de angariar votos e minimizar o estrago nas urnas previsto nas pesquisas de opinião.
O
presidente ressaltou a importância da classe média, atingida em cheio pela
crise econômica, e fustigou os republicanos:
—
Essas são as pessoas que ajudaram a devastar nossa classe média e levar nossa
economia para o buraco. E agora eles estão pedindo as chaves de volta — afirmou
Obama, acrescentando que a oposição só sabe “dizer não”. — Mesmo quando
concordam, eles dizem “não”. Preferem ganhar alguns pontos antes das eleições
em vez de resolver os problemas. Nós dizemos que podemos (yes, we can, o slogan
da campanha presidencial de Obama), eles, nunca.
Oposição critica ‘gastança’ do governo
O
líder republicano no Senado, John Boehner — que recentemente pediu a demissão
da equipe econômica do governo —, criticou a proposta como “mais do mesmo fracassado
plano de estímulo” lançado por Obama no início do mandato, em janeiro de 2009,
de U$787 bilhões. “Se aprendemos algo nos últimos 18 meses, é que não podemos
gastar os meios que nos conduzirão pelo caminho da prosperidade. Não
necessitamos de mais ‘estímulos’ do governo, precisamos acabar com a gastança
descontrolada dos democratas de Washington”, afirmou Boehner em comunicado.
Amanhã,
Obama deverá anunciar mais medidas de estímulo, como redução de impostos para a
classe média e pequenas e médias empresas, além de vantagens fiscais para
investimento em pesquisa e desenvolvimento, energias renováveis e
infraestrutura.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: Economia Tamanho: 642 palavras
Edição: 1 Página: 21
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro
Caderno
© 2001 Todos os
direitos reservados à Agência O Globo