AEROPORTO: SINAIS DE EXPLOSÃO CRIMINOSA

 

Peritos encontram fragmentos de bomba artesanal em carro que pegou fogo na frente do terminal

 

FUNCIONÁRIOS DO Tom Jobim resfriam o Vectra incendiado, que, segundo a polícia, faria transporte irregular

 

Antônio Werneck e Sérgio Ramalho

 

Peritos do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil recolheram fragmentos de uma bomba de fabricação caseira e encontraram vestígios de um explosivo, possivelmente TNT, no interior do Vectra, placa LOC-4614, que explodiu domingo à tarde na área externa de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador. Inicialmente, policiais da Delegacia Especial do aeroporto cogitaram que o acidente teria acontecido em consequência de um defeito no cilindro de GNV. A versão foi praticamente descartada após avaliação preliminar dos peritos. A polícia investiga a hipótese de a explosão estar relacionada à disputa pelo controle do transporte de passageiros no local.

 

A versão é reforçada por informações de que o Vectra incendiado era usado ilegalmente como táxi. Imagens captadas por uma câmera da Infraero instalada no local e enviadas aos policiais civis, revelaram que o Vectra, dirigido por um homem não identificado, estacionou por volta das 14h10m no local. O carro seguia um outro, um Eco Sport preto, ocupado por pelo menos duas pessoas. Durante cerca de nove minutos os dois carros (o Vectra ficou estacionado bem atrás do Eco Sport) ficaram parados sem que ninguém tenha saído deles.

 

Ainda segundo as imagens — que estão sendo analisadas minuciosamente pelos peritos do Esquadrão Antibombas e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (IICE) —, somente por volta das 19h19m, um homem vestindo roupas pretas e usando um boné claro (provavelmente branco), deixou o Vectra pelo banco de trás e andando rápido, entrou no Eco Sport usando a porta de trás. O carro saiu em seguida. A explosão aconteceu dois minutos depois: exatamente às 14h21m.

 

As imagens mostram ainda que por muita sorte ninguém ficou ferido. Na hora da explosão, o movimento de pessoas era moderado, mas é possível notar que passageiros e motoristas de táxi e outros veículos que estão no local, se assustaram e correram. Em seguida, a imagem foi coberta por uma cortina escura de fumaça, enquanto curiosos tentam se aproximar. Uma segunda explosão, com menor intensidade, aconteceu, cobrindo o Vectra de chamas.

 

O fogo foi controlado 12 minutos depois, com a chegada ao local de uma brigada de incêndio do próprio Aeroporto Tom Jobim. Soldados do Corpo de Bombeiros da Ilha chegaram depois e terminaram o serviço. Policiais civis e federais também chegaram ao local, assim como PMs.

 

— Pelas imagens percebe-se que o motorista do Vectra, depois de estacionar, pula para o banco de trás, sugerindo que, pelo tempo que levou para sair do carro, estava acionando o mecanismo da bomba. Um artefato artesanal, podemos dizer também — disse um policial civil que teve acesso às imagens e participa das investigações.

 

No cadastro do Detran, o Vectra aparece em nome de Ronaldo da Silva Demétrio, que foi ouvido ontem por policiais. O carro modelo 2002 acumula atraso no pagamento de IPVA desde 2007, além de contar com 19 multas. A maioria por trafegar em alta velocidade na Avenida Brasil, Via Light e rodovias intermunicipais em Maricá e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos. O que indica o uso do veículo no transporte de passageiros, segundo um dos envolvidos na investigação.

 

Jornal: O GLOBO          Autor: 

Editoria: Rio    Tamanho: 568 palavras

Edição: 1         Página: 18

Coluna:            Seção:

Caderno: Primeiro Caderno   

© 2001 Todos os direitos reservados à Agência O Globo