ARQUITETOS ABREM GUERRA CONTRA CRITÉRIO PARA PROJETO DO PARQUE OLÍMPICO DO RIO

 

Entidades acusam Comitê Organizador dos Jogos de falta de transparência

 

ILUSTRAÇÃO ARTÍSTICA do Parque Olímpico: escritórios de arquitetura querem um concurso para o projeto

 

Luiz Ernesto Magalhães

 

A escolha do escritório que complementará os estudos arquitetônicos necessários para tirar do papel o Parque Olímpico do Rio — principal legado esportivo dos Jogos Olímpicos de 2016 — virou motivo de polêmica. Entidades que defendem os interesses de arquitetos e urbanistas, como o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), criticam as regras adotadas pelo Comitê Organizador da Rio 2016 (CO-Rio 2016) para fazer a seleção das empresa.

 

Os especialistas acusam o CO-Rio 2016 de falta de transparência por ter divulgado a licitação apenas em seu site e reclamam dos prazos para o desenvolvimento dos projetos. O edital de licitação foi publicado no dia 19 de agosto e as empresas tiveram apenas 12 dias para reunir a documentação necessária. O vencedor terá de oito a dez semanas, para entre outras tarefas, produzir e apresentar croquis, perspectivas e plantas das instalações. Algumas serão definitivas e outras provisórias. A lista inclui quatro novos ginásios, um parque aquático (provisório) e o Centro Nacional de Tênis, a serem construídos na área que hoje é o autódromo.

 

IAB: 80% dos escritórios não souberam do edital

 

O presidente nacional do IAB, Gilson Paranhos, é um dos que criticam o processo:

 

— O edital orienta os participantes a respeitarem os conceitos da arquitetura brasileira. Como fazer isso, se a licitação foi pouco divulgada? Se 20% dos escritórios de arquitetura do Brasil tomaram conhecimento, foi muito. Há tempo para rever o processo. Faltam ainda seis anos para as Olimpíadas — disse Gilson.

 

O presidente do IAB-RJ, Sérgio Magalhães, também vê falhas no processo de licitação:

 

— A seleção deveria ser feita com cuidado. São equipamentos importantes para a imagem da cidade. Além do mais, existe a questão dos direitos autorais. É inconcebível que a empresa que elaborar os projetos não seja responsável por desenvolvê-los — disse Magalhães.

 

Os especialistas defendem que o processo seja revisto e que as empresas tenham mais tempo para desenvolver os trabalhos. Uma das teses é que essa escolha se dê por um concurso nacional de projetos, assim como a prefeitura fará com as instalações não esportivas em planejamento para a Zona Portuária.

 

Em nota, o Comitê Organizador Rio 2016 argumenta que a licitação do projeto arquitetônico final será de responsabilidade do Ministério do Esporte. Nesta fase, acrescentou o CO-Rio 2016, serão feitos apenas estudos que complementam o projeto apresentado ao Comitê Olímpico Internacional (COI). A entidade alegou ainda que os prazos são compatíveis para o desenvolvimento das propostas e que todo processo está sendo acompanhado por especialistas em arquitetura esportiva.

 

Somente quatro empresas apresentaram propostas

 

Dos 42 escritórios que retiraram o edital, apenas quatro apresentaram propostas e foram pré-habilitados. Desses, três têm sede no Rio (Lva Logística de Valor Agregado; Lumo Arquitetura e Design e Oficina de Arquitetos) e o quarto é de São Paulo (Gabinete de Projetação Arquitetônica).

 

O Ministério do Esporte preferiu não se manifestar, por entender que a licitação é de responsabilidade do CO-Rio 2016.

 

O vice-presidente regional do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco-RJ), Demetre Anastassakis, é outro crítico da licitação:

 

— Em dez semanas ninguém consegue fazer nada. Ainda há tempo de rever o processo e fazer um concurso — disse.

 

O presidente do CREA-Rj, Agostinho Guerreiro, também considera o prazo apertado para o volume de trabalhos:

 

— Um pré-projeto dessa magnitude necessitaria de pelo menos três meses para ser desenvolvido. Não se pode selecionar um escritório para elaborá-lo tomando como base apenas se a empresa atende a requisitos técnicos e financeiros.

 

Jornal: O GLOBO          Autor: 

Editoria: Rio    Tamanho: 617 palavras

Edição: 1         Página: 17

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