NÚMERO DE DETIDOS CHEGA A 1.200; MAIORIA FICA SOLTA

 

Deles, 70% já tinham passagem pela polícia

 

A Seop vem combatendo a atuação de flanelinhas, enquadrados em exercício ilegal da profissão. De janeiro de 2009 a julho deste ano, 1.200 foram detidos, sendo que 70% já tinham passagem pela polícia. A grande maioria volta para as ruas, já que a contravenção não é considerada crime nesse tipo de atividade. No entanto, 3% deles foram encarcerados por já terem mandado de prisão expedido e estarem foragidos da polícia. Outros 13 também foram presos por extorsão, já que as vítimas prestaram queixa e reconheceram os flanelinhas.

 

— A gente percebe que essas pessoas ficam bastante à margem da lei. Muitos deles não estão ali porque não têm emprego, mas sim porque estão no crime mesmo — diz o secretário de Ordem Pública, Alex Costa.

 

Para combater os flanelinhas, a Seop, em parceria com a Guarda Municipal, vem promovendo operações e também filmando grupos de guardadores para ajudar na caracterização do crime de formação de quadrilha. Mas o esforço de fiscalização não impede que motoristas continuem a ser achacados. A arquiteta Mônica Antunes e o engenheiro Flávio Fleury tiveram que desembolsar R$5 para estacionar no Baixo Gávea, no último domingo.

 

— Eu não me sinto confortável, mas fazer o quê? Ele pediu R$5 e acertamos de pagar na volta — contou Mônica, que mora em Ipanema. — Lá não é diferente.

 

Ontem, flanelinhas circulavam livremente na esquina das ruas Farme de Amoedo e Nascimento Silva e na Rua Henrique Dumont com Rua Redentor, em Ipanema.

 

— Quem não sabe lidar com os flanelinhas se sente bem ameaçado. Mas moro no Rio há 30 anos e não me deixo abater — disse um motorista que se identificou apenas como Rogério e se recusou ontem a dar dinheiro a um guardador ilegal na Farme de Amoedo.

 

Maria Amélia Fernandes, da Associação de Moradores de Ipanema (Amipanema), reclama da invasão de flanelinhas, principalmente nos fins de semana:

 

— É uma prática que incomoda e preocupa. Existem alguns lugares críticos que precisam de mais atenção, como toda a extensão da Rua Visconde de Pirajá.

 

Para Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação de Moradores do Leblon, somente uma fiscalização ostensiva é capaz de deter a prática, que afasta consumidores do bairro:

 

— Os flanelinhas atrapalham muito, principalmente à noite, quando falta policiamento. Alguns lugares têm gangues que extorquem dinheiro. No Leblon, estacionamento é artigo de luxo.

 

Em outra ponta da fiscalização, a Seop tenta impedir também que as calçadas da orla, especialmente as que não contam mais com fradinhos, sejam tomadas por carros.

 

Jornal: O GLOBO          Autor: 

Editoria: Rio    Tamanho: 446 palavras

Edição: 1         Página: 15

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