O MAPA DA EXTORSÃO
Prefeitura lista pelo menos 20 pontos críticos de atuação de
flanelinhas na cidade
FLANELINHAS EM AÇÃO em alguns dos pontos
considerados críticos pelos fiscais da Seop: em São Cristóvão, nas imediações
da Feira Nordestina; e nas ruas Henrique Dumont e Farme de Amoedo, em Ipanema
UM FLANELINHA é preso anteontem perto da estação do
Trem do Corcovado
Giselle
Andrade, Ludmilla de Lima e Renata Leite
Eles
estão por toda parte. Difícil ir a um restaurante no Baixo Gávea e escapar da
abordagem intimidadora de diversos flanelinhas. Ou assistir a um jogo no
Maracanã sem antes pagar quantias que chegam a R$15 para estacionar o carro no
entorno do estádio. Esse era o valor cobrado no último domingo, quando a região
foi alvo da Operação Choque de Ordem da Secretaria de Ordem Pública (Seop). Por
fim, dez flanelinhas foram detidos e levados para a delegacia. Outros cinco
foram presos em todo fim de semana nas proximidades da estação do Corcovado, no
Cosme Velho. De acordo com a Seop, o Rio apresenta pelo menos 20 pontos
críticos de atuação de guardadores ilegais.
O
mapa da irregularidade inclui as ruas em volta do Clube Monte Líbano, na Lagoa,
do Teatro Municipal, no Centro, em dias de concerto; e do Estádio do Maracanã,
em dias de jogo; o entorno da Feira dos Nordestinos, em São Cristóvão; a área
entre a Praça Paris, na Glória, e a Lapa;e toda a orla de Leblon, Ipanema e
Copacabana. Aparecem ainda na lista as ruas Dias Ferreira, no Leblon; Farme de
Amoedo, Barão da Torre, Alberto de Campos, Joana Angélica e Henrique Dumont, em
Ipanema, além de vias do Centro como a Rua do Passeio e as avenidas Chile, Rio
Branco, Presidente Vargas e Almirante Barroso. A Avenida Almirante Silvio de
Noronha, próximo à cabeceira da pista do Aeroporto Santos Dumont, também foi
citada. Em regiões turísticas, a “tarifa” cobrada pelos flanelinhas pode chegar
a R$40.
O
secretário de Ordem Pública, Alex Costa, afirma que a Zona Sul é uma das
regiões mais críticas da cidade por concentrar bares, restaurantes e lojas.
Numa operação recente realizada em Ipanema, a equipe da secretaria encontrou
flanelinhas cobrando R$20 nas proximidades de uma academia de ginástica. Para
Costa, são vários fatores que atraem os infratores para determinados locais:
—
Existe a questão da oportunidade, como a grande circulação de carros em certas
regiões, mas não é só isso. Há locais que não contam com a delimitação de vagas
regulares e onde os flanelinhas expulsam os guardadores regulares por
intimidação, como costuma acontecer no Centro. Existem também falhas do
Sindicato dos Guardadores e da empresa que deveria prestar o serviço na área
azul da Zona Sul da cidade — reconhece Costa.
A
diretoria do Sindicato dos Guardadores do Rio não foi encontrada para comentar
o assunto.
Embrapark põe a culpa na chuva
Os
problemas frequentes no serviço da Embrapark levaram o prefeito Eduardo Paes a
ameaçar, em maio, romper o contrato com a empresa, que opera as vagas em ruas
de sete bairros da Zona Sul. A prefeitura informou que está estudando o melhor
modelo para a administração das vagas de estacionamentos em toda cidade.
O
gerente geral da Embrapark, Márcio Vieira, argumenta que os flanelinhas
costumam tomar as ruas nos horários em que a empresa não opera. Nos sábados, os
guardadores autorizados trabalham em vias internas da Zona Sul até as
—
Como domingo é só na orla, as ruas internas ficam entregues aos flanelinhas —
diz o gerente, acrescentando que, nos dias de chuva, como domingo e ontem, o
índice de faltas dos guardadores aumenta. — A maioria dos operadores mora na
Baixada. Quando o tempo fica ruim, você tem muitas faltas. Nós temos 550
operadores, e já tivemos 30% de faltas por dia. Reduzimos pra 6% de dezembro
para cá.
Cada
cartela de estacionamento custa R$2, e vale, dependendo da vaga, para duas,
quatro ou 12 horas. O gerente da empresa adianta que negocia com a prefeitura
estender o serviço para os bairros de Flamengo, Catete e Botafogo e que
aumentará para 700 o número de operadores até o verão.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: Rio Tamanho: 706 palavras
Edição: 1 Página: 15
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro
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