NA TV, ESCOLAS VÃO DAS NOTAS ZERO A 10
Educação é tema de Cabral e Gabeira no horário eleitoral. Governador
mostra melhorias; candidato do PV, falhas
WENDY no programa de Cabral: “Ar-condicionado na
sala. Que legal!”
JÉSSICA PACHECO no programa de Gabeira: “Quase não
tem aula”
Paulo
Marqueiro
Tudo
certo como dois e dois são cinco. Quem assistiu ontem aos programas de TV dos
candidatos ao governo do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e Fernando Gabeira (PV),
dedicados à educação, ficou confuso. A propaganda de Cabral disse que, em
quatro anos, foram abertas 30 novas escolas. O programa de Gabeira informou que
o atual governo construiu quatro, como já mostrara O GLOBO em agosto. O jornal
pediu à assessoria do Palácio Guanabara que esclarecesse os números, mas ela
informou que não conseguiu checar os dados. No domingo, reportagem do GLOBO
mostrou que o Rio teve a maior queda de matrículas estaduais no ensino médio no
país, entre 2006 e 2009.
De
acordo com a propaganda de Cabral, mais de 900 escolas foram reformadas. A de
Gabeira mostrou o Colégio Estadual Santa Teresa, em Belford Roxo, na Baixada
Fluminense, em reformas. O programa disse que, por causa das obras, há três
anos, os alunos têm aulas na quadra de esportes.
—
Quando está chovendo, não tem aula. Quando está sol, não tem aula. Quando está
ventando, não tem aula. Quase não tem aula. As escolas que o governo mostra na
TV são bem diferentes — disse a estudante Jéssica Pacheco, no programa do
candidato do PV.
Gabeira
disse que o atual governo deveria se envergonhar do desempenho na educação:
—
Caímos para penúltimo lugar no quadro nacional. Estamos à frente apenas do
Piauí — disse Gabeira, referindo-se ao Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb) 2009.
O
programa de Cabral mostrou que, no atual governo, 56 mil professores receberam
laptops com acesso grátis à internet para melhorar a qualidade das aulas, e as
salas ganharam ar-condicionado. Cabral disse ter certeza de que “os alunos já
sentem a diferença”.
—
Quando cheguei, nem acreditei. Ar-condicionado na sala. Que legal! — disse
Wendy Barreto, moradora de Manguinhos, no programa do PMDB.
Cabral
informou ainda que 30 mil professores foram contratados e, depois de 12 anos de
salários congelados, passaram a ter aumento todos os anos.
Coordenadora
do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Maria Beatriz
Lugão, porém, diz que os professores estaduais só tiveram aumento nos dois
primeiros anos (4% e 8%, respectivamente):
—
No ano passado, o governo não deu reajuste, apenas incorporou a gratificação do
Nova Escola. Este ano também não houve aumento.
Aos taxistas, governador culpa gestões anteriores
Num
encontro com taxistas na tarde de ontem, em um clube no Rocha, Cabral (PMDB)
atribuiu os problemas na educação a gestões anteriores:
—
Herdamos uma situação dramática. Estamos fazendo novas escolas e, até o final
deste ano, 30 unidades escolares. Vamos construir mais 50 escolas na Região
Metropolitana. A cidade do Rio ficou 20 anos sem receber uma unidade de ensino
(estadual). A Ilha não tinha colégio novo de ensino médio há 20 anos.
COLABOROU
Fábio Vasconcelos
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: O País Tamanho: 526 palavras
Edição: 1 Página: 14
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro
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