FILHA DE SERRA TEVE DADO VIOLADO UMA 2ª VEZ
Depois da procuração falsa usada em 30 de setembro em Santo André,
houve outro acesso em 8 de outubro, em Mauá
O CORREGEDOR da Receita, Antonio D'Ávila: quase
três mil tiveram dados acessados em terminal de Adeildda
Roberto
Maltchik e Vivian Oswald
BRASÍLIA.
O terminal da servidora Adeildda Leão Ferreira dos
Santos, na Delegacia da Receita Federal em Mauá (SP), não serviu apenas para o
acesso ilegal às declarações de renda de tucanos. Horas antes de extrair esses
documentos, o computador foi usado para levantar as informações cadastrais da
filha de José Serra, Verônica Serra, e das quatro pessoas que mais tarde
tiveram seus dados fiscais devassados. O levantamento consta de apuração
especial feita pelo Serpro em todos os registros efetuados com o uso do CPF de
pessoas que pudessem ser alvo de um dossiê para atacar a candidatura do tucano
à Presidência.
A
descoberta evidencia que a busca por informações pessoais da filha de Serra,
parte delas protegidas por sigilo fiscal, ocorreu em duas frentes. A primeira,
em
Todos
os acessos às informações cadastrais, que constam do sistema CPF, ocorreram de
manhã, horário em que a servidora diz que estava usando sua estação de
trabalho. A descoberta põe sob enorme suspeita o álibi de Adeildda.
Ela afirmou, em depoimento à Corregedoria e em nota à imprensa, que as
informações privadas dos tucanos foram devassadas no horário de almoço. O
advogado da servidora vai se pronunciar hoje.
As
informações pessoais de Verônica foram levantadas às
No
caso de Eduardo Jorge, as consultas ao sistema CPF, a partir do terminal de Adeildda, ocorreram às
O
sistema é capaz de rastrear as operações feitas com determinado CPF, usando
como fonte o banco de dados da Receita. Segundo o documento do Serpro, ao qual
o GLOBO teve acesso, Adeildda teria manuseado três
“telas” com informações cadastrais de Eduardo Jorge às
Em Mauá, 2.949 com dados acessados sem motivação
“Só
tenho certeza de que não imprimi as declarações do Sr. Eduardo Jorge, pois
naquele dia, excepcionalmente, saí por volta das
A
Receita identificou indícios de que 2.949 contribuintes tiveram seus dados
consultados nos sistemas do Fisco na delegacia de Mauá sem motivação prévia.
Desse total, 2.591 pessoas não tinham domicílio naquela região. Todas as
consultas teriam sido feitas pelo terminal de Adeildda,
o mesmo de onde se acessaram dados sigilosos dos tucanos. Os acessos teriam
sido realizados entre 1º de agosto e
Em
pronunciamento improvisado na entrada do prédio do Ministério da Fazenda, o
corregedor da Receita, Antonio Carlos D'Ávila, afirmou
que 2.664 contribuintes não tiveram suas informações fiscais violadas nessas
consultas, que teriam sido limitadas a dados de cobrança e cadastro das
pessoas, diferentemente do que aconteceu com tucanos e empresários.
—
A corregedoria constatou também que não houve acesso a dados protegidos por
sigilo fiscal dos contribuintes. Dos 2.949 contribuintes que tiveram seus dados
acessados, 2.591 estão fora do domicílio fiscal da
agência da Receita Federal de Mauá, o que é um indício, a priori, de acesso
imotivado da servidora — disse o corregedor, que não respondeu a perguntas da
imprensa, após ler um comunicado com os resultados preliminares das
investigações.
Segundo
D'Ávila, a corregedoria de São Paulo, onde está sendo realizada a apuração das
irregularidades, vai mandar mais essas informações para o Ministério Público
Federal e para a Polícia Federal:
—
Esses acessos realizados pela servidora Adeildda
ainda estão sendo investigados para saber qual foi a
motivação.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: O País Tamanho: 841 palavras
Edição: 2 Página: 12
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro
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