RECEITA POSTERGOU E AGORA PRORROGA APURAÇÃO POR 60 DIAS
Investigação só começou depois que o caso foi noticiado na mídia
Roberto
Maltchik
BRASÍLIA.
A Receita Federal decidiu prorrogar por mais 60 dias a investigação da quebra
de sigilo de tucanos e de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à
Presidência, José Serra. A decisão adiará a conclusão para o dia 31 de outubro,
data de um eventual segundo turno das eleições. Despacho da Corregedoria nesse
sentido foi assinado na última sexta-feira.
Enquanto
adia a conclusão do caso, novos documentos da Receita mostram que a comissão
que cuida da apuração levou um mês e dez dias para considerar “oportuna” a
investigação dos acessos aos dados cadastrais do vice-presidente do PSDB,
Eduardo Jorge Caldas Pereira, a partir de um terminal da Receita localizado na
cidade de Formiga, em Minas Gerais.
Em
27 de julho, a apuração especial do Serpro já detectara que as informações
pessoais de Eduardo Jorge tinham sido acessadas no município mineiro, mas o
presidente do processo administrativo da Receita, Levi Lopez, só resolveu
encaminhar à Corregedoria um pedido de “apuração de possível ilícito” às
De
acordo com a ata de deliberação, obtida pelo GLOBO, o presidente do processo
indica que, ainda assim, só determinou a investigação “em razão de notícia
prematura dos respectivos acessos veiculados na mídia”. A ata não afirma qual
seria o “momento oportuno” para começar a investigar o possível uso da
estrutura de Receita em Minas Gerais para devassar informações sigilosas de
contribuintes.
“O
colegiado aguardava o momento oportuno, no decorrer dos trabalhos, com novos
elementos, para verificar possíveis vínculos, ou não, aos acessos realizados em
Mauá”, afirma Levi Lopez na ata de deliberação, antes de ressaltar que não
compete a ele “apurar possível ilícito praticado por servidor de outra região
fiscal”.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: O País Tamanho: 344 palavras
Edição: 2 Página: 3
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro
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