DILMA: RECEITA NÃO PODE SER FRAGILIZADA
Petista atribui apoio de Collor a um ‘problema da liberdade
democrática’ e diz que sua história é bem diferente da do ex-presidente
A CANDIDATA Dilma Rousseff com o presidente do PT,
José Eduardo Dutra, em Brasília: “Se as pessoas erraram, foram as pessoas e não
a instituição”
Evandro
Éboli
BRASÍLIA.
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu ontem a Receita
Federal e afirmou que a disputa eleitoral não pode comprometer o funcionamento
do órgão nem fragilizá-lo. A petista afirmou que, se houve erros, foram das
pessoas e não da instituição. A petista afirmou que os responsáveis por esse
atos ilegais na Receita devem ser excluídos.
—
A Receita tem uma trajetória de serviços prestados e não podemos tratá-la de
forma tão leviana. É preciso apurar tudo, mas ter calma também. Se as pessoas
erraram, foram as pessoas e não a instituição — disse Dilma, em entrevista na
tarde de ontem, no estúdio de gravação de seu programa eleitoral.
Dilma
comentou a declaração do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, na semana
passada, afirmou que sigilos na Receita sempre foram quebrados. A petista
tentou explicar a frase do ministro:
—
Acredito que Mantega quis dizer é que não existe nenhum sistema perfeito e que
todos são passíveis de serem violados. É fundamental que se tenha rigidez muito
grande e fortalecimento da proteção dos dados do sigilo fiscal da população e
de milhões de brasileiros. Não é possível conviver com vazamentos. Há que se
investigar e punir caso se detecte algum mal feito. E há de se excluir o
funcionário também.
Questionada
que atitude tomaria nesse episódio da Receita caso fosse presidente, Dilma
respondeu:
—
Investigo até o último minuto. Até a última virgula.
Dilma
critica uso de vídeo de Collor em programa tucano
Dilma
Rousseff também falou do apoio que recebe do ex-presidente e senador Fernando
Collor de Mello (PTB-AL), explorado pelo programa eleitoral de seu concorrente
José Serra (PSDB). A petista atribuiu o apoio de Collor à sua candidatura a um
“problema da liberdade democrática”. Com certo desconforto e um pouco
constrangida, Dilma afirmou que sua história de vida é bem diferente da de
Collor, que disputa o governo de Alagoas.
—
Quero dizer que não tenho a mesma posição histórica do presidente Collor.
Agora, se ele quiser apoiar a minha candidatura, é um problema da liberdade
democrática. Tenho vários apoios lá (em Alagoas), inclusive do Ronaldo Lessa
(candidato do PSB ao governo estadual).
Dilma
classificou como um “mecanismo escuso” o uso de um vídeo de Collor, de apoio à
petista, no programa tucano. Ela voltou a frisar a diferença entre os dois:
—
É público e notório que tenho uma trajetória de vida um pouco diferente da
trajetória do presidente Collor.
Sobre
a revelação de que também um petista, Gilberto Amarante, está envolvido no
acesso de dados sigilosos do tucano Eduardo Jorge em Formiga, Minas Gerais,
Dilma afirmou que esse fato teria ocorrido quando nem sua candidatura, nem a de
Serra e de Marina Silva, estavam definidas. Amarante teria consultado dados de
Eduardo Jorge em abril de 2009.
No
caso da Receita, a petista disse que a intriga o fato de pouco ter sido
divulgado que o jornalista Amaury Ribeiro Júnior trabalhava para o jornal
“Estado de Minas” quando investigava a vida de Verônica Serra. Amaury alega ter
feito trabalho de inteligência para a campanha de Dilma.
—
Por que ele fez esse levantamento? Nessa época ele trabalhava no “Estado de
Minas”. Poucas vezes vi isso registrado.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: O País Tamanho: 593 palavras
Edição: 1 Página: 10
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