RASTRO
PETISTA
Acesso a
dados fiscais do tucano Eduardo Jorge em Minas foi feito por mais um filiado ao
PT
ANTÔNIO CARLOS, um dos 12,6 mil
filiados ao PT em Mauá, entregou procuração falsa na Receita para ter acesso a
dados de Verônica Serra
Vivian
Oswald, Evandro Éboli e Gerson Camarotti
Todos
os acessos ao CPF de Eduardo Jorge ocorreram no mesmo dia:
Integrantes
da Receita afirmam que os dez registros podem significar uma única consulta. Os
sistemas do Fisco registram como novo acesso cada uma das vezes que o servidor
muda a tela em um mesmo acesso. De todo modo, a Receita não acredita que a
consulta que partiu da senha do analista fiscal em Formiga tenha sido motivada.
A explicação estaria no fato de terem ocorrido fora da região fiscal onde
reside o tucano. Para comprovar se o acesso foi imotivado é preciso verificar
ainda se a pesquisa teve ou não autorização ou seguiu algum pedido judicial.
De
acordo com essas fontes no Fisco, a consulta não teria permitido o acesso aos
dados fiscais do contribuinte. Esse tipo de registro pode significar que o
servidor tentou verificar dados pessoais de Eduardo Jorge.
Dutra confirma filiação de analista
A
nova denúncia deve ser analisada pela Corregedoria da Receita em Belo
Horizonte, responsável pela jurisdição de Minas Gerais. A comissão de inquérito
deve requerer ao chefe do escritório de São Paulo, que analisa o caso, que
prossiga com uma investigação disciplinar. Esse é o caminho de praxe para
apurar indícios de irregularidades.
Eduardo
Jorge diz que não tem negócios ou imóveis na cidade mineira de Formiga e
estranhou o fato.
—
Isso é a confirmação do que nós já suspeitávamos: é uma operação ampla para
favorecer o PT e tentar intimidar a oposição. Além disso, a Receita Federal,
mais uma vez, atuou de forma conivente com a campanha de Dilma. Essa eleição
está seriamente afetada por essa questão de quebras sucessivas de sigilo —
disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
O
presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou ontem que, se ficar
comprovada a participação de Amarante no caso, o petista pode até vir a ser
expulso do partido. Dutra optou pela prudência, mas confirmou que o analista de
Formiga é filiado à legenda. Ele conversou com o presidente do PT de Minas, o
deputado federal Reginaldo Lopes, e afirmou que não havia localizado o analista
até o início da noite de ontem. Segundo Lopes, nem mesmo os dirigentes do PT de
Arcos (MG) o conhecem.
—
Realmente ele é filiado ao PT, mas não é um militante do partido. É preciso
saber se ele teve acesso indevido aos dados da Receita. O PT tem uma postura
ética que não concorda com essa prática. Se ficar confirmado qualquer
ilegalidade, ele será excluído do PT — disse Dutra.
Dutra
se antecipou a dizer que não há, de todo modo,
qualquer vínculo do ato de Amarante com a campanha de Dilma Rousseff
e lembrou que o fato ocorreu em abril do ano passado. Ele acrescentou que o
servidor da Receita não teria participado do último Processo de Eleição Direta
(PED), as eleições internas, do PT. Mesmo assim, Dutra reconheceu que o
episódio traz um incômodo para o PT.
—
Claro que causa um constrangimento ao PT.
O
relatório que detectou as consultas ao CPF do tucano foi produzido pelo Serpro,
serviço de processamento de dados do governo, no dia 27 de julho. Foram
encontrados ainda consultas ao CPF de Eduardo Jorge feitos por terminais da
Polícia Federal, Banco Central e Ministério Público.
Mauá é terceiro maior núcleo do PT no país
Cidade do contador que violou sigilo fiscal tem
12,6 mil filiados
Tatiana
Farah
MAUÁ.
Palco do vazamento de dados sigilosos da Receita Federal, a cidade de Mauá,
administrada pelo PT, é a terceira cidade do país com o maior número de
petistas de carteirinha: 12,6 mil filiados, ou seja, 4,4% da população de 284
mil eleitores. Um desses petistas é Antônio Carlos Atella
Ferreira, o assessor contábil que entregou à Receita uma procuração falsa em
nome de Verônica Serra, filha do candidato tucano à Presidência, José Serra. Atella é cunhado de um dos fundadores do PT na cidade, o
oficial de Justiça João Primo, e entrou para o partido em outubro de 2003,
depois de ter vivido em Rondônia, onde responde a dois processos sigilosos na
Justiça.
Ele
se filiou ao PT durante a segunda gestão do petista Oswaldo Dias. Com filiação
assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dias está em seu terceiro
mandato; e seu filho, Leandro, preside o diretório local do PT.
O
PT informou que um problema na grafia de Atella, que
foi registrado como Atelka, teria impedido sua
filiação no TRE. O TRE, no entanto, confirma a filiação até novembro de 2009.
A
adesão de Atella ao PT foi feita em um período de
boom petista em Mauá. No fim de 2002, segundo o TRE, o partido tinha 6,8 mil
filiados. O número saltou para 10,7 mil em julho de 2004. Mauá só perde em
número de petistas para São Paulo e Diadema, também no ABC Paulista. O
movimento sindical petroleiro também é grande na cidade.
Servidores de Mauá devem depor hoje
A
Polícia Federal retoma hoje os depoimentos nas investigações sobre as quebras
de sigilos de tucanos. Devem ser ouvidos os servidores da
agências da Receita Federal de Santo André e Mauá, onde foram acessados
dados dos tucanos. Verônica Serra, filha do candidato à Presidência pelo PSDB,
José Serra, também deve depor, mas a data ainda não foi confirmada.
Na
última sexta-feira, a PF ouviu o contador Antônio Carlos Atella
Ferreira, outro petista envolvido no vazamento de dados. Atella
usou uma procuração falsa para devassar os dados fiscais de Verônica. O
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo informou que Atella
filiou-se em
A
servidora da Receita Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que recebeu a procuração
falsa de Atella e acessou os dados de Verônica na
agência de Santo André, também deve prestar depoimento. Ela alega que não tinha
como saber se a procuração apresentada era verdadeira.
Jornal: O
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